domingo, 6 de junho de 2010

MURILO CHEGOU! AUMENTOU A COLEÇÃO DE NETOS E NETAS!

Minhas manias, meu cansaço, minha insônia, o império do “não pode!”...
Os meus papos estão recheados de “no meu tempo...”, “quando eu era...” “naquela época...”.
A idade avança...  e ao rememorar o passado, sinto-me realmente  um ex-isso, um ex-aquilo... um ex-quase-tudo!
O médico anima-me, otimista:
- Você está um garoto! Tudo cem por cento!
- Isso não interessa! O diagnóstico pode estar equivocado!
E assim prossigo, ouvindo todos os dias os repetidos alertas, que têm origem no peso da minha idade:
- Cuidado com o batente!
- Feijoada, não!
- Me dê a mão!
- Tá na hora de dormir!
- Tomou o remédio?
- Um gole para espairecer? - De jeito nenhum!!!
- Deixe que eu dirijo!
- Olhe o colesterol!
- Cuidado com o açúcar!
- Não faça isso! não faça aquilo!
E a ladainha continua...
Pensando bem: - que bom, nesta idade, ter ao redor de mim pessoas que me amam e que se preocupam comigo! De uma coisa estou certo: - Não é fácil lidar com um velho resmungão... não é, minha querida Glads?
Mas... como disciplinar este zelo? Como cuidarem de mim sem a prevalência dessa sensação de “ex-“?  Que esta realidade é dura, isto... é! Não adianta gestos ou palavras acalentadoras!
A velhice nos faz diferentes, queiramos ou não.  Cabe-nos agasalhar dentro d´alma a sobrevivência da eterna juventude. Se isto é uma autoenganação, pelo menos nos alivia bastante. 
Que a ladainha dos "não pode" é torturante... não tenham dúvidas!   Mas, sabem de uma coisa?  -  Obrigado por todas essas aparentes chatices, porque, enquanto elas me aborrecem, muitas maravilhas vão-me acontecendo e me afirmando que a velhice não é uma condenação! 
Em todo esse contexto, é verdade que a tal ladainha é massacrante, mas...
( Há sempre um "mas" que complica ou alivia )
Neste "mas"... A Suzana deu-me um lindo netinho. Isso é esplêndido!
Murilo nasceu!
Trouxe-me com ele a grande certeza de que a velhice não é tão nefasta. Ela tem o seu encanto e, para falar a verdade,  na convicção de que a vida continua depois da morte, ela simplesmente não existe. Quem me grita isto é a eternidade!  Que bom saber que não estarei morto após a "morte"!
Eu não sou só isso!
A vida não se acaba!
A vida se renova!
A natureza é bela e eu sou natureza!
Tudo está muito certo!
Deus te abençoe, Murilo!
Viva!
Viva minha velhice!
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COLEÇÃO DE NETOS E NETAS:
Presenteados pela Sílvia:        Priscila e Paulo Vitor
Presenteados pela Rossana:   Luiz Henrique e Bianca
Presenteado pela Suzana:      Murilo
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6 comentários:

Dona Chicosa disse...

O engraçado de tudo isto é que ele não tem colesterol, não tem pressão alta...não tem nada.
Apenas, tento controlar, um pouco,
este apetite voraz que ele tem para que possa permanecer sadio por muitos anos. E só recebo reclamações. Mesmo assim...te amo.

Anônimo disse...

Querido Poeta, será que senti um pouco de magoa em suas palavras? E o senhor não esta velho, esta sim mais sábio. A melhor idade nós faz mais sábios. Cada ano que passa aprendemos coisas novas conhecemos outras pessoas, fazemos novos amigos e isso é tudo muito bom!!! Um poeta sábio como senhor se sentindo velho, não consigo acreditar nisso! Poetas não envelhecem, eles viram lendas...e são lembrados e citados por outros poetas. E este será o seu caso.
Um grande abraço.
Samira Louzada

Isaac Melo disse...

Caro Anchieta,

eu me regozijo com você, pelo Murilo, pois como dizia Tagore "cada criança ao nascer, nos trás a mensagem de que Deus
não perdeu as esperanças nos homens".

Não tenho filho, mas muito me alegro com os meus quase 30 sobrinhos. É verdade meus irmãos e irmãs estão trabalhando bem. Risos....

Tenha certeza jamais você ouviria elogios meus se você não os merecessem. Tua poesia nos diviniza humanizando.

Um forte abraço!

Brunno Damasceno disse...

Parabéns Professor! Vamos fazer um samba para comemorar? A música "Tristonho Carnaval" tá fazendo maior sucesso.

abraços!

DASLAN MELO LIMA disse...

Caro Anchieta,

estive há pouco revendo as postagens mais antigas do meu blog PASSARELA CULTURAL e deparei-me com um comentário seu de maio-2009, sobre a secção "Sessão Nostalgia", em homenagem a Anísia Gasparina, Miss Brasília 1967.

Confesso que me emocionei com o seu poema, tanto que vou colocar em pauta uma nova homenagem a Anísia e pretendo, com sua autorização, inserir seus versos na matéria.

Gostei muito do seu blog e serei um dos seguidores do mesmo.

Um abraço e dias poeticamente iluminados.

Daslan Melo Lima
Timbaúba-PE
E-mail: daslan@terra.com.br

Nayara Menezes disse...

Cadê o Rafa!
Indiguinação total.