segunda-feira, 18 de junho de 2018

OS CARAS DE PAU

José de Anchieta Batista
Valha-nos Deus! As eleições vêm aí.
Alguns pronunciamentos vindos de determinadas pessoas que se arvoram defensoras da moral e da ética, causam-nos repugnância.  Sentem-se puras. Julgam-se com autoridade para falar de moral, gritar contra a corrupção, com o dedo em riste para os outros. Não é possível que dentro de suas almas não haja um “desconfiômetro” apontando para si mesmos. Não é possível que, diante de tudo o que praticaram e ainda praticam, não se vejam hipócritas, vagabundos, crápulas, ladrões, e mais um rosário interminável de adjetivos que se destinam aos safados que este mundo produz. São verdadeiras latrinas disfarçadas. Alguns já responderam a inúmeros processos por surrupiar o que não lhes pertence, mas continuam falsamente “vestidos” de pureza e luz. E quando isto lhes é lembrado, a resposta é bem contundente:
- Estou limpo. De nada posso ser acusado. Ninguém nunca provou nada contra mim. Tudo perseguição. Além disso, a justiça já arquivou essas mentiras e em todos os outros processos, fui inocentado – pronuncia-se o meliante de luxo, com cinismo e empáfia.
Sabe Deus de que forma o miserável ladrão da coisa pública conseguiu anular as acusações. Quase sempre os processos estão recheados de provas irrefutáveis. E ele sai por aí, na maior desfaçatez, peito estufado, fanfarronando, zombando da sociedade, apontando o dedo sujo contra cidadãos do bem. Sua ilusão é a de que limpo u sua fama de corrupto e que agora é visto como um cidadão sacrossanto, sem qualquer mácula. Ah, coitado! Haja óleo de peroba!
Há alguns dias reclamei para um amigo:
- Eles pensam que somos idiotas.
E a resposta não podia ser mais verdadeira:
- Eles não pensam que somos idiotas. Eles têm certeza!
Nesse mundo das bandalheiras, nossa realidade é ainda muito triste, mas já sentimos alguma melhora. Temos que aliviar para as próximas gerações. Queira Deus que isso aconteça!
Antes de concluir, não posso deixar de aqui ressalvar os que são vítimas das falsidades e mentiras. Isso também existe.
Concluo alertando que somente a verdade é caminho para a evolução. O resto é realmente o resto. E acrescento: o olho de Deus, como qualquer um O conceba, é do mesmo tamanho do Universo. Ele vê tudo!

sábado, 9 de junho de 2018

AMAR... E VIVER!

(Anchieta)

Se o amor é vida,
A vida é amor...  
Sem amor, esta vida  
É nula em sabor...  
O amor é luz...  
É luz e é cor...  
São todas as luzes,  
São todas as cores  
E exala o perfume  
De todas as flores.  
O mais lindo tema,  
De todos os temas!  
São só quatro letras,  
E a sonoridade  
De todos fonemas!  
Não cabe em meu peito  
Nem nos meus poemas.  
 
De qualquer semente,  
Brota e se expande,  
Se faz forte e grande,  
Faz-se infinito...  
Bendito ou maldito,  
No inexplicável  
De suas raízes:  
- Céu dos venturosos!  
- Dor dos infelizes!  


O amor que respiro  
É o misto das coisas  
Mais transcendentais...  
É a beleza de todos  
Os sons musicais,  
Tocados na harpa  
De meus ideais...  
- O amor por que vivo  
Que bem que me faz!  

Não há sinonímia  
Para o meu amor...  
Sinto-me senhor,  
Faço-me cativo...  
Eu sinto que amo!  
Eu sinto que vivo!  
Quero a simbiose  
De nossa existência,  
Na plenipotência  
Do amor que há em mim...  
Meu ser em teu ser...  
Teu ser em meu ser...  
Amar e viver  
Deste amor que é só teu,  
Deste amor que é sem fim!

***
(Versos da Adolescência)

segunda-feira, 4 de junho de 2018

OS CORRUPTOS DE MINHA INFÂNCIA

(Trecho do livro: Capoeira das Éguas – Capítulo II)
“ ...
Em 1953, a seca foi terrível e, em consequência, os governantes implantaram, mais uma vez, programas para acudir os flagelados. Na execução desse socorro às vítimas do flagelo das secas, conhecido popularmente como “emergência”, inexistia qualquer controle efetivo que os revestisse de algum princípio de moralidade. Isso propiciava toda espécie de desmandos. Os chamados “fantasmas” fervilhavam em meio à relação de nomes dos trabalhadores. Até animais de estimação faziam parte dos que recebiam aquele socorro.
Dentre tantos desmandos, citam-se exemplos deveras curiosos, e até engraçados.
Naquele ano, foram inscritos, nas frentes de trabalho, dois flagelados com os nomes de José Aurora da Silva e de José Virgulino Caetano. Como nunca se ouvira falar da existência dessas criaturas ali em Capoeira das Éguas, os mais curiosos deram um jeito de saber o destino dos envelopes com o dinheiro. Um, era entregue na Pensão Aurora e o outro, no açougue do Zé Caetano. Como todos os parentes deles já estavam abrangidos pelo programa, deduziu-se que um dos “Josés” era o pornográfico papagaio “Cu Pelado”, da proprietária da pensão Aurora, e o outro “José” se tratava do vira-lata “Lampião”, do debochado Zé Caetano, um açougueiro vendedor de carne de bode. Para completar o absurdo, os “Josés” ganhavam como fiscais de tarefas, pois a remuneração era um pouco maior. Claro que os donos dos bichinhos dividiam com alguém o “suado” pagamento.
Descoberta a trampolinagem, tudo ficou por isso mesmo, e os envolvidos, ao serem perguntados sobre o assunto, ainda tinham o descaramento de se justificarem:
Esse dinheiro não é de ninguém mesmo! Se a gente não faz, outro faz!
E era desse jeito que os programas de socorro aos flagelados aconteciam.
Aqui, um parêntesis para um destaque ao famoso “Cu Pelado”.
Tratava-se de um papagaio da raça “Estrela”, proveniente das bandas do Pará, cuja “erudição e eloquência” o fizeram famoso. Era versado em xingamentos e saudações pornográficas a quem transitasse por perto dele. Além de saber gritar: “café-vovó!”, “Dá-pé-meu-lô-ro!”, “au-ro-ra-vem-cá!”, ele passava o tempo todo numa gritaria só: “Pi-ri-qui-tô!... Pi-ri-qui-tô!”... “Seu-bos-ta!”... “Seu-bos-ta!”.
Aprendia facilmente tudo o que lhe ensinavam, principalmente quando se tratava de sacanagem. Mas, quem fazia isso, às vezes, se tornava vítima das próprias aulas ministradas ao safado. Dona Aurora bem que tentou, muitas vezes, ensinar-lhe um hino da igreja, mas nunca teve sucesso.
Todos os dias, bastava ouvir a voz do João Mendes e lá se iam os repetidos conselhos do louro: “tomá no cu!”, “tomá no cu!”, “tomá no cu!”.
O Tonheiro, todo santo dia, passava por perto da pensão só para ouvir o louro fazer a festa: “fi-da-pu-ta!”... “fi-da-pu-ta!”... “fi-da-pu-ta!”. E os dois ficavam se insultando com o mesmo xingamento.
O Sebinha teve de suportar a vida inteira: “viado-véi!”, “viado-véi!”, “viado-véi!”.
Cu Pelado aliava a pessoa aos ensinamentos dela recebidos. Era realmente uma graça.
Na esculhambação da “emergência”, pelo menos o louro era responsável por alegrar a “Pensão da Aurora”. A velha tinha de ser bastante agradecida ao papagaio, pois fazia a propaganda de seu estabelecimento. Significava uma atração à parte, animando os clientes da casa.
O papagaio nunca estava de lundu, mas só aceitava “dar o pé” para pessoas de seu convívio mais aproximado. Só nunca se soube o porquê de sua inscrição como trabalhador da “emergença”, como alguns chamavam. Acredita-se que se tratava de um cachê artístico. E assim, “Cu Pelado” cumpriu o importante e histórico papel como personagem daquele tempo. Enfim, o safado do papagaio morreu de velho, mas sua fama vem sendo repassada de geração a geração.
Quanto ao outro flagelado, o “Lampião” do Zé Caetano, só servia para dormir, ficar tentando morder o próprio rabo, ou latindo para o João Mendes, que adorava bater o pé em sua direção.
Tudo isso faz parte das histórias daquele fim de mundo, em que o pranto e o sorriso, a tragédia e a comédia, o inferno e o paraíso, aconteciam no mesmo ambiente, quase sem um muro que os separasse.
...”


segunda-feira, 28 de maio de 2018

O SEXO É DIVINO


José de Anchieta Batista
Estou no septuagésimo terceiro degrau de minha atual passagem pelo planeta Terra. Neste estágio da travessia, há um sentimento de estar vivendo num compartimento separado dos demais. Falo assim, mas não me imaginem um velho rabugento, resmungão e recantado. É que, nestes momentos da vida, passamos a apreciar um certo tipo de solidão, que não sabemos descrever. Isso porque, como idosos, nossa ocupação predileta é pensar, é avaliar a trajetória percorrida, é amargar arrependimentos que não levam a lugar nenhum, já que a roda do tempo não gira para trás. As celebrações referentes ao passado quase não existem. Neste crepúsculo vespertino da vida, descobrimos que ainda não sabemos quem somos. Parece até que perdemos todo nosso viver numa construção sem sentido.
Nessas malucas lucubrações da velhice, surgiu-me, num desses dias, súbito questionamento de como seria a humanidade, se quem a inventou não houvesse nos ofertado as maravilhas e o poder do sexo. E de imediato brotou-me a resposta. Ora, sem uma forma de reprodução da espécie, com certeza a humanidade teria se resumido às mitológicas figuras de Adão e Eva. Mas não foi bem assim. O Criador de tudo isso determinou aos dois primitivos humanos “crescei e multiplicai-vos!”, numa clara ordem para que não parassem de produzir novas criaturas semelhantes, a fim de ocuparem todo o planeta Terra. Para tanto, o casal original não teve a menor dificuldade em identificar e usar os instrumentos desse trabalho. De imediato descobriram quão maravilhoso era aquilo. E o que era apenas para fabricar mais gente, transformou-se no divertimento mais esplendoroso da vida. E o “mexe-mexe”, além de ser a maior e insuperável diversão humana, tornou-se responsável por essa confusão desenfreada que é o mundo. Em todo recanto, só se pensa “naquilo”.
Não sei se é plenamente correta a informação, mas o professor Google me disse que a média de duração do orgasmo masculino é de três a cinco segundos e o feminino chega a atingir dez. Parabéns ás mulheres, pela generosidade do Criador, ofertando-lhes um gozo muito mais longo do que temos nós, os machos. Maravilha, queridas.
O tão esplendoroso ato sexual, que para mim é o encontro mais profundo de duas almas, divido-o, na minha maneira rude e brincalhona de ser, em dois estágios: os “prolegômenos” e os “finalmentes”. Este último é como se fosse a batalha final, que culmina com o êxtase indescritível do orgasmo.
Neste ponto de minha grosseira análise,  surge-me outro questionamento: E se houvesse o sexo, mas não existisse o orgasmo, para coroar os “finalmentes”, como seria cumprida a ordem dada por Deus?  Ah, ninguém se iluda. Sem a fome que atraem os corpos, sem o fogo ardente da volúpia, sem a explosão do orgasmo, isso que chamamos vulgarmente de “gozo”, ninguém iria perder tempo de estar agarrado por aí, se lambuzando um no outro, sem chegar a lugar nenhum. A multiplicação também estaria comprometida e, dessa forma, a Terra estaria hoje vazia.
Admito como verdade que se o Criador nos fez com sexo, aquele que o repudia está contra Deus. Foi feito para ser usado, evidentemente dentro de princípios saudáveis apontados pela razão. Claro que o mau uso, os abusos, as violências, as práticas doentias que estão em nosso cotidiano, não são aceitáveis. São anomalias. A luz vermelha tem que estar sempre acesa, pois manter-se em plena normalidade racional é bem difícil. O sexo é poderoso, enlouquece, mexe com tudo em nosso corpo, desequilibra, leva-nos a insensatez. Isso tudo, em busca daqueles três segundinhos de extremo êxtase que vêm coroar o ritual dos prolegômenos.
Mas o que é normal no sexo? Tudo! Desde que se respeite o que verdadeiramente tem que ser respeitado, principalmente o outro. E o resto é o resto.
Certa vez um sujeito que se dizia “profeta e homem de Deus”, me disse que um casal deve fazer sexo sem volúpia, sem lascívia, sem excesso de sensualidade. Era pecado. Quase mando o falso moralista à merda. O autêntico imbecil não soube me dizer como é possível fazer isso.
Vem do ser humano, em meio a tantas maravilhas que o Criador nos ofertou, fazer o belo ficar feio, mudar as cores da vida, colocar no que é puro os trajes do pecado, transformar as dádivas sagradas em instrumentos de infelicidade.
Meus amigos, fico por aqui.
Sequer sei porque hoje falei sobre esse lado saboroso da vida. Não estranhem, pois na velhice também se pensa naquilo. Ademais, além de este combatente ainda não estar vencido, morto e enterrado, carrega saborosíssimas reminiscências... e sei que já fui muito bom nisso!
Finalmente, não se esqueçam de que, em tudo o que acima abordei, a presença do amor é o ingrediente mais fabuloso para que a plenitude seja atingida.
O sexo é divino, minha gente!

sábado, 12 de maio de 2018

AOS NOVENTA ANOS DE DONA AMÉRICA

José de Anchieta Batista
Seria ingratidão não dedicar hoje, em meu humilde espaço deste jornal, mesmo que singela, uma homenagem a minha mãe, dona América, que completou no recente dia dez de maio, noventa anos de existência.
- Parabéns, mamãe. Abençoe-me da distância que hoje nos separa, já que uma crise de deficiência respiratória, provocada por aquele velho enfisema pulmonar, herança maldita do tempo de fumante, coisa que a Senhora sempre reprovou, impediu-me de viajar à Paraíba, para estar presente na tão merecida comemoração de seu aniversário. Vai, contudo, daqui de Rio Branco, meu “muito obrigado, mamãe!”, por tudo o que fez por nós.
Minha gente, eu vejo as mães como seres divinos, continuadoras da criação. Sua motivação maior e mais sublime é o amor, unicamente o amor. Cuida, zela, educa, defende os seus rebentos sem qualquer hesitação. O filho é um pedaço dela, fora dela. Minha mãe mostrou tudo isso no cotidiano da vida.
Não posso recordar a trajetória de vida de minha mãe, sem que me venha fortemente a imagem distante de minha infância, naquele sofrido sertão nordestino.  Dona América tornou-se a maior de todas as minhas heroínas. Sim, ela foi a heroína vencedora de mil lutas, junto ao meu honrado e destemido pai. Nunca se quedaram diante da inclemência daqueles velhos tempos tão difíceis.
Seu Batista era o “caçador”, aquele que ia à luta, com inabalável honestidade, para nunca nos faltar os meios de sobrevivência. Dona América era a “cuidadora”, aquela que nos abrigava no aconchego das longas asas do amor maternal. Éramos pobres materialmente, mas éramos ricos de ternura, dedicação, carinho e extremado zelo. Assim, em nosso humilde lar, fomos diuturnamente regidos pela maior força do Universo: o Amor.
Minha mãe e meu saudoso pai, sempre foram extremamente religiosos. Isso, naqueles sertões, tinha um valor imensurável. Quando as coisas apertavam, os joelhos dobravam-se até o chão e, com certeza, Deus escutava. Sempre senti que a força da fé, se não transportar a montanha, pelo menos aponta algum caminho para contorná-la. Assim procederam meus velhos pais.
Fui criança numa época em que havia hierarquia familiar, disciplina, respeito etc. A primeira e mais eficiente educação era na família. A escola, onde as regras também estavam presentes com o mesmo rigor, apenas ensinava e respondia os demais porquês do mundo. Hoje, sinto que a “vaca foi para o brejo”. E foi mesmo!
Minha mãe, sempre desmedidamente compreensiva e amorosa, surgia de vez em quando com um chinelo na mão, diante da quebra mais acentuada de algum preceito estabelecido. Aquilo funcionava maravilhosamente bem. E era muito bom que ficasse somente com Dona América o poder do chinelo. Ninguém queria que chegasse qualquer queixa a nosso pai, porque nessa “instância” as penas eram mais severas. Diferentemente de hoje, havia disciplina e muito respeito ás regras. A peia vinha por último. E já que toquei neste assunto, é bom lembrar que jamais fomos tratados fora dos limites do aceitável. Nunca houve exagero, porque o amor estava presente em tudo.
Crescemos. Fomos formados cidadãos do bem, exatamente pautados nos valores que nos foram repassados à maneira da época. E a participação de nossa mãe em tudo isso foi enorme, pois cabia a ela o acompanhamento mais de perto.
Em 2012, Seu Batista se foi, após cumprir com menção honrosa, sua missão aqui na Terra, sempre amado e respeitado por todos os seus descendentes e amigos.
Dona América completa agora noventa anos, momento em que, vitoriosa, recebe o galardão de nosso afeto, de nosso amor e de nossa gratidão. Infinito é o reconhecimento de todos nós, diante dos exemplos e valiosos ensinamentos que nos proporcionou no decorrer da vida.
- Parabéns e Obrigado por tudo, Dona América. Sob as bênçãos de Deus, receba a divina energia de todo nosso amor. Mais uma vez nos abençoe,

sábado, 5 de maio de 2018

Absurdo do poeta Zé Limeira: Pombal, capital do Brasil


Zé Limeira, meu conterrâneo da cidade de Teixeira, no estado da Paraíba, nasceu em 1886 e morreu em 1954. Era um violeiro diferente, que fazia rir os admiradores das cantorias, com seus improvisos sem pé nem cabeça. Ainda menino, eu soube das peripécias poéticas do Zé, por notícias de meu saudoso tio João Lacerda, seu contemporâneo. Mais tarde, lá pelos idos de Setenta, o jornalista Orlando Tejo empreendeu uma verdadeira peregrinação pelos rincões nordestinos, buscando garimpar os versos deste poeta que, na construção de sua arte, o que lhe interessava era essencialmente a rima. Não se preocupava com os absurdos resultantes. Foi assim que o Orlando deu vida a uma imorredoura obra intitulada “Zé Limeira, o Poeta do Absurdo”, em que condensou as principais pérolas deste personagem extraordinário.
Zé Limeira misturava os fatos históricos e seus personagens, com a maior naturalidade possível, desde que a rima estivesse perfeita e a estrofe se enquadrasse no formato dos versos cantados. Em sua engenharia poética, segundo me falou Tio João Lacerda, ele fez de Pombal, cidade fincada no sertão da Paraíba, a capital do Brasil:

" Deodoro da Fonseca
Foi presidente em Pombal,
Foi herói lá em Princesa,
Quando virou marechal
Fez a nossa independência
E fugiu pra Portugal. ”

Dentre os absurdos presentes nesta sextilha, Zé Limeira faz o nosso suposto libertador, por ele designado, fugir exatamente para Portugal, país ao qual pertencia nosso Brasil como colônia.-

sábado, 28 de abril de 2018

A SÍNDROME DE ADÃO E EVA E UM MUNDO PERDIDO

José de Anchieta Batista
No enredo bíblico para explicar o início da existência de tudo, vamos encontrar o ser humano dando seus primeiros passos sobre a Terra. Criados o homem e depois a mulher, foram-lhes transmitidas as regras básicas para habitar a exuberância daquele mundo novíssimo. Já havia ali direitos e deveres. E dentre os detalhes que enriquecem a mitológica história, muito sem demora, aparecem os dois únicos viventes de então, Adão e Eva, violando uma regra imposta pelo Criador:
“... da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás ...” (Gên 2:17).  
Foi ali que começou a confusão que se propagou até os dias atuais:
A astuta serpente convenceu a mulher a comer do fruto proibido, e esta, por sua vez, induziu Adão a também transgredir.  O Criador, diante daquele pecado de número um, quando pessoalmente fez sua sindicância para apurar responsabilidades, o homem botou a culpa na mulher, que lançou a culpa na serpente.  Naquela confusão, chamada de “pecado original”, todos receberam suas punições, e as carregarão por toda a existência, segundo consta do livro sagrado. Algo, porém, ficou bem claro. O ser humano, desde sua criação, além de trazer inclinação para transgredir, tem sempre o indicador da mão apontado para outra pessoa. Foge de assumir as suas culpas.  A esse comportamento de fuga que nos acompanha até os dias atuais, alguém já denominou de “Síndrome de Adão e Eva”.
Recordo que em minha infância, quando a meninada toda se acusava e não aparecia o autor do malfeito, todo mundo era punido. Naqueles tempos, o cinturão, o cipó, o chinelo, a palmatória e, predominantemente a palmada, eram nossos manuais de boas maneiras e eficientes instrumentos de psicologia aplicada. Até mesmo no seminário de padres, onde estudei, e onde era muito pregada a disciplina da consciência e o terror aos castigos de Deus, “dona Joaninha”, a palmatória, era muito temida e sempre utilizada. Confesso hoje que nunca me revoltei contra meus pais, nem contra o Cônego Luiz Gualberto. Ao contrário, sou-lhes deveras agradecido.
Não estou aqui para discutir se a aplicação daqueles métodos era algo certo ou errado, mas era nítida uma realidade: quando se desrespeitavam as regras estabelecidas, o sujeito era levado a obedecê-las por medo do castigo. Hoje, o respeito desapareceu, e o medo morreu diante da impunidade.
Naqueles tempos idos, prevaleciam o desconhecimento e o despreparo na aplicação dos métodos educacionais modernos, hoje recomendados. Ninguém ouvia falar nisso. Não posso deixar de confessar que havia exageros na aplicação daqueles manuais de repressão às traquinagens. Aconteciam abusos, espancamentos e selvagerias. Afirmo, porém, que eram exceções e que elas ainda hoje acontecem por aí. Afirmo ainda que nunca consegui compreender os métodos modernos, diante da decadência da humanidade. Perdi-me em seu cientificismo. Precisamos de algo novo que remodele o mundo, com adequada formação de caráter das gerações que despontam.   
Neste momento, estendo meu olhar para a humanidade e vejo que ela piorou. Na família, tão importante na formação dos cidadãos, bem como, em todos os recantos do planeta Terra, o caos está estabelecido. O que fazer? Juro que não sei.
Para concluir, quero que fique bem claro:
- Não estou aqui recomendando o retorno aos métodos antigos, nem abominando os modernos. Juro que fico perdido sempre que analiso tudo isso que hoje me cerca. Sinto que estamos sendo eliminados e perdemos a capacidade de perceber tal situação com maior profundidade. O mundo enlouqueceu. Alguma coisa, porém, tem que ser feita pelos que ainda conservam a racionalidade.                                                                                                .


domingo, 15 de abril de 2018

A VALIDAÇÃO QUE NUNCA CHEGA - (*) Heloisa Tainah

Validação era uma coisa que eu sempre buscava no outro. Primeiro era algo que queria muito ter da minha família, da minha mãe especialmente.  Depois queria ser a amiga ideal para também ser reconhecida pelas pessoas que fizeram parte da minha infância e juventude. Em seguida, transferi esse desejo aos meus namorados, ex-marido e assim segui até perceber que, na verdade, o que eu queria mesmo era pertencer a algum lugar e a alguém! Estava sempre em busca de suporte para me sentir segura. Queria sempre que alguém dissesse da minha beleza, da minha inteligência, do quanto eu era importante em sua vida e, mais, que era a única capaz de agregar na vida de alguém. Eu queria ser a única mulher a mudar a vida daqueles que cruzaram o meu caminho e essa teimosia me levou a buracos profundos de sofrimento. E outra: a validação pelo outro nunca bastava, sempre queria mais, e mais, e mais. Porém, no fundo, a única validação que nos basta e nos preenche é aquela feita por nós mesmos.
Só nós podemos nos abastecer do que somos, ninguém mais! Só a nossa verdade nos é suficiente.
Mas compreender isso me levou a um mergulho profundo na minha alma.
Tenho visto muitas pessoas desabarem, se fecharem para a vida e se desorganizarem totalmente, pelo fato de não terem sido validadas, isso quando não vão para o lado oposto que é o da censura, da difamação e da maldade contra todos aqueles de quem não obtiveram a confirmação que desejavam a respeito de si mesmos.
E diante de tudo que tenho vivido e passado, tenho entendido que a base da insegurança é o pertencimento forçado, essa validação que tanto queremos e nunca alcançamos, porque no fundo quando procuramos por isso o que queremos mesmo é lugar na vida do outro.
Quando nos colocamos na postura de buscar por validação, recusamos o fato de nos olharmos e reconhecermos aquilo que somos.
O pertencimento não se busca, porque ele se dá por afinidade e não por imposição! O que realmente somos é o que nos guia em direção à nossa tribo.
É o magnetismo da nossa essência que nos direciona, e isso não se exige ou se cobra. Tudo caminha para onde tem que ir quando estamos presentes em nós mesmos.
Essa condição, na maioria das vezes, nos causa um pouco de sofrimento, porque não queremos largar o “osso” da validação de pessoas ou grupos que não têm nada a ver com a gente.
Temos receio de caminhar sozinhos e de nos responsabilizarmos pelas nossas próprias escolhas.
Mas, aos poucos, à medida que a segurança vai chegando, todos os fatos vão clareando, o que temos como verdade vai se fortificando e todo o resto vai ficando no seu devido lugar. Prioridades vão nascendo. Nós vamos nascendo para nós mesmos. Nós vamos nos preenchendo das nossas verdades e do que acreditamos ser o certo para nós. E tudo começa a fazer sentido.
Que possamos não encorajar para buscarmos a nossa segurança e abrirmos nossas asas rumo ao horizonte que escolhemos como nosso!

(*) Influenciadora e orientadora holística da Casa Instante e do Centro de Resgate do Ser - A Casinha e idealizadora do perfil @mulheres_xamanicas.

sábado, 24 de março de 2018

A BOTIJA DE CAMUCÁ - Ramalho Leite

Há alguns dias, recebi de meu amigo paraibano, o livro de sua autoria “A Botija de Camucá e outros assuntos aleatórios”. Trata-se de uma coletânea de crônicas suas, publicadas no jornal A União (João Pessoa-PB). São pedaços de minha Paraíba, reunidos num desfile histórico de personalidades e fatos interessantes que, como é de seu estilo, trazem as tintas de seu fino humor.
Parabéns, amigo Ramalho. Li-o de um só fôlego. Obrigado.
Em homenagem, transcrevo neste espaço a engraçada história que deu nome ao seu livro:
 A BOTIJA DE CAMUCÁ
(*) Severino Ramalho Leite
A vida corria tranquila na Vila de Camucá.  O nome, de origem indígena, significa “terra deserta’. O rio, do mesmo nome, deu origem ao povoado que foi surgindo depois que o dr. José Amancio instalou usina de beneficiamento de arroz e uma fecularia, garantindo centenas de empregos. Nas terras que adquiriu, plantava a matéria prima de suas indústrias. Para expandir seus negócios, precisava de energia. Barrou o rio Camucá, uma continuidade do Rio Canafístula, e trazendo máquinas do exterior, instalou a primeira usina hidroelétrica do Nordeste, antes mesmo de Delmiro Gouveia descobrir Paulo Afonso. Somente o trem, que faria parada ali a partir dos idos de 1913, perturbava a calmaria que, durante o dia, acalentava o sono da “bela adormecida dos eucaliptais” como a denominou o imortal Manoel Batista de Medeiros.
Camucá tomou ares de povoado promissor após o advento da luz elétrica e a partir de 1949 tornou-se um distrito integrante do município de Bananeiras. Quando a água acumulada para a produção de energia invadiu a cidade, que acompanhava a silhueta do rio, dr. José Amancio mandou projetar uma nova, na parte mais alta, e suas ruas obedecem a um traçado invejável. No ponto mais elevado do terreno, cumprindo promessa de sua primeira esposa, dona Luizinha Moreira Ramalho, mandou erguer uma capela em louvor a Nossa Senhora do Carmo e, posteriormente, construiu amplas escadarias. Em cada desnível da subida, os fiéis podem contemplar a estátua de um profeta ou de um evangelista. Quem sobe ou desce esses batentes pode parar para descansar, sob as vistas de Abraão, Moisés ou Noé, subindo; João, Lucas e Mateus, descendo.
Em um burgo que só acordava com a sirene da fecularia liberando seus trabalhadores ou com o apito do trem na última curva de chegada, qualquer novo morador era notado imediatamente e objeto da curiosidade geral. Foi assim com José Diogo ou Zé Diogo, para os mais íntimos. Chegou de repente, sem recomendação ou clareza de sua origem. Em torno dela surgiram várias versões e, a mais provável, era que uma moléstia incurável naquela época, recomendava que respirasse ares mais amenos como o da pequena Vila de Camucá, vizinha de Bananeiras, onde o Major Zé Fábio inventara uma vacina à base de saliva humana, que curava todos os males. Excelente conversador, Zé Diogo, onde chegava era cercado e ninguém duvidava ou contestava a veracidade de suas narrativas. Sofrera o diabo nos seringais da Amazônia, e em trinta, saía de Cruz das Armas, onde morava, e entrava pelos fundos do Palácio da Redenção para levar, em caixas de sapatos, cargas de munição que arrecadara, para ajudar Joao Pessoa na luta de Princesa…
Um dia surge na vila um burburinho. Lá perto do Engenho de Poço Escuro, já na vizinhança de Solon Benevides, encontraram um enorme buraco. Misturada à terra dele retirada, pedras de carvão, casca de cebola e cabeça de alho. Tudo indica que alguém arrancou uma botija, era a informação que corria de boca em boca, tirando a tranquilidade do lugar. Arrancar uma botija indicava que um defunto deixara enterrada a sua fortuna, e aparecera em sonho a um felizardo encarregando-o de desenterrá-la, para que pudesse, enfim, sua alma angustiada descansar em paz. Quem teria sido esse ganhador da loteria do além? Qualquer atitude suspeita, resultava na indução de autoria. É público e notório que quem arranca uma botija está proibido de revelar, sob pena de acompanhar o doador à sua última morada.
Com a história da botija no auge, José Diogo passou a sorrir encabulado toda vez que se falava no precioso achado. Foi Zé Diogo, concluiu alguém. A cara dele não nega, afiançava outro. E o nome de Zé Diogo foi crescendo como novo milionário da terra. Se fora mesmo ele, todos concordavam, estaria impedido de gastar o ouro que exumara do Poço Escuro.
Tinha Zé Diogo uma carta de crédito vinda do além. Passou a comprar fiado em todas as bodegas. Não regateava preço. Comprava e mandava anotar. E se alguém indagava quando pagaria, respondia com um sorriso maroto: “Você sabe que não depende de mim”…
O engodo não poderia se perpetuar.  As contas estavam aumentando e se aproximava o período da quarentena para o botijeiro. Uma manhã… a Vila notou a ausência da sua celebridade instantânea. Zé Diogo pegara o trem na madrugada e desaparecera nas curvas da ferrovia. Outros viajantes deram noticia dele até que o comboio escureceu, na passagem do túnel de Poço Escuro. Ao clarear do dia, não havia mais sinal do misterioso passageiro.
(*) SEVERINO RAMALHO LEITE nasceu em Bananeiras (PB), no dia 6 de outubro de 1943. Jornalista, advogado e escritor, é membro da Academia Paraibana de Letras desde 2013

UM BALANÇO DA VIDA


José de Anchieta Batista
 De repente cheguei aos setenta e três anos, com uma bagagem enorme de erros e acertos. Tudo continua confuso e incerto. Também profissional da Contabilidade, estou me dando ao trabalho de fazer os meus balanços. Fico, porém, bastante triste quando vejo que as contas nunca fecham.
Sobre o transcorrer da vida, creiam os mais novos: tudo passa num relâmpago. Anteontem eu era um menino... ontem eu era um jovem cheio de vida... hoje sou um idoso buscando viver.
Tentar não se ver, e também não ser visto, como uma enxada velha e carcomida, lá num recanto de parede, é bem difícil. Estou reagindo a isto. E é mais que necessário reagir. É um ato de sobrevivência na prorrogação da vida por mais algum tempo. A velhice tem uma espécie de ferrugem que finda nos levando a uma depreciação pouco remediável. Se nos conformamos com isto e não nos valemos de algum anticorrosivo, bem mais ligeiro chega, a nossa porta, aquele automovelzinho tenebroso, com enfeites em cor lilás, pertencente a alguma casa funerária.
É, meus amigos. Vamos viver! Estrebuchemos! Lutemos e vivamos, embora algum dia o fatídico momento tenha que acontecer. É inexorável. Não adianta choramingar. De repente aquela maldita “carrocinha” parará defronte nossa casa, nos recolherá como uma encomenda, nos levará num cortejo para habitar um bairro macabro onde ninguém quer morar. Superficialmente é isto, embora exista, para mim, algo maior acontecendo paralelamente.
Refletir sobre estas coisas é como algo que sempre nos faz desmoronar. A certeza é absoluta, mas todos fugimos dela.  É que ninguém consegue se preparar para receber a inevitável, porém sempre indesejada visita.
De minha parte estou tentando amenizar este encontro.
Hoje iniciei o dia relendo e mastigando o que nos diz o nosso querido e extraordinário Mário Quintana, sobre o lapso da vida:

SEISCENTOS E SESSENTA E SEIS (O TEMPO)
Mário Quintana
A vida é uns deveres que nós trouxemos
para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo…
Quando se vê, já é 6ª-feira…
Quando se vê, passaram 60 anos…
Agora, é tarde demais para ser reprovado…
E se me dessem – um dia – uma outra
oportunidade,
eu nem olhava o relógio
seguia sempre, sempre em frente…
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
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segunda-feira, 12 de março de 2018

DE TUDO O QUE É SONHO SÓ RESTOU O NEYMAR

Transcrevo hoje no Espaço do Anchieta, os versos de um poeta do cordel, nascido em Canindé (CE), Pedro Paulo Paulino, de aguçada ironia quanto aos valores atuais da sociedade. Sabemos da importância do Neymar para nosso principal divertimento, o futebol, mas precisava o dedo do cara provocar tamanho alvoroço? Ocorre que Neymar, com sua arte, sua conta bancária, seu jatinho e a Bruna Marquezine sentada no colo, nem precisa se quebrar para causar tanto tumulto. Entrou para a Mitologia... e o povo precisa disso. É o cara!

Autor: Pedro Paulo Paulino

Jornais, rádio, internet,
Canais de televisão,
A imprensa brasileira
Volta completa atenção
Para um fato aterrador:
O dedo de um jogador
Comove toda a nação.

Dedo mindinho do pé,
Que num momento infeliz,
Jogando bola distante
Na cidade de Paris,
Foi de repente atingido,
E o fato só tem sido
A desgraça do país.

A pátria inteira parou
Com esse acontecimento!
Um dedo do pé direito
Vem causando sofrimento
A milhões de brasileiros:
Prantos, gritos e berreiros
Se ouve a todo momento!

A imprensa, sempre atenta,
Não guarda nenhum segredo.
Doutores de gabarito
Acordaram hoje cedo,
Para uma junta formar
E com cuidado operar
Durante o dia esse dedo.

Não faltam, para esse membro,
Cuidados especiais,
Que será tratado em um
Dos melhores hospitais
Do Brasil e o mundo inteiro.
Coisa pra quem dinheiro
E fica em Minas Gerais.

Reportagens, todo o tempo,
Estão a noticiar.
Na hora da cirurgia,
Todo o Brasil vai parar
Para ver o que acontece
E muitos vão fazer prece
Pelo dedo do Neymar.

Segundo comunicou
O velho José Simão,
Vai ter cobertura ao vivo
Em toda televisão;
A Globo até vai mandar
Ao local, pra comentar,
O baba-ovo Galvão.

Porque, segundo a notícia,
Quando o fato aconteceu,
Uma equipe logo veio
E o atleta socorreu,
Mas naquela ocasião
Foi o rabo do Galvão
O lugar que mais doeu!

Violência no país,
Ninguém quer mais comentar;
Eleições pra presidente,
Nisto nem é bom falar;
O assunto agora é
O dedo “mindim” do pé
Do tal jogador Neymar

Que tragédia pra nação!
Que comoção e que dor!
Toda a mídia brasileira
Dirigiu seu refletor,
Entre fevereiro e março,
Para o quinto metatarso
Do pé desse jogador!

Já pensou se esse dedo
(Deus o livre, credo em cruz!)
Tivesse que ser tratado
Pelos hospitais do SUS,
Onde só tem assistência
Da divina Providência
E os milagres de Jesus?!

O dedo que foi comprado
Por quase um bi de reais
(Nem mesmo o dedo de um santo
Vale tantos cabedais!)
Não é um dedo comum
E será tratado em um
Dos melhores hospitais.

Reforma da Previdência,
Mil tributos a pagar,
Inflação, custo de vida
Só subindo sem parar,
Massacre à população,
Mas nada chama atenção
Como o dedo do Neymar!

Falcatruas no Congresso,
Um presidente impostor
Metendo sem pena a faca
No povo trabalhador,
Rede Globo intolerante,
Mas nada é mais importante
Que o dedo do jogador.

Enquanto houver gente besta,
Sabido não vai faltar.
Há milhões de brasileiros
Morrendo de trabalhar
Numa pátria corrompida,
E a mídia comprometida
Com o dedo do Neymar!...