quinta-feira, 21 de maio de 2009

Acordai, ó poetas!

- De onde essas vozes?
- São gritos de algozes!

Poetas! poetas!
Saí dessas tendas,
Tirai vossas vendas
E olhai pra sentir!
O sol vai cair,
Seremos deserto...
E a pátria, por certo,
Não há de ter nome!
Despi vossos véus
E olhai para os céus,
Ó filhos da fome!

Ó Deus, onde estão
Teus filhos mais bravos?
Mandai-os, urgente,
Quebrar a corrente
Dos novos escravos!

Ouvi, ó poetas,
A dor na amplidão!
Saí das alcovas,
Chorai vosso irmão
Jogado no inferno
De um tipo moderno
De escravidão!

Os seres humanos
Não são mais humanos!
Os nossos poetas
Não são mais poetas!
As vozes são tênues,
Há falso lirismo,
Os versos são gritos
Do próprio egoísmo!

Por Deus, acordai!
Gritai e gritai!...
Uni vossas vozes,
Que o verbo é a espada
De vosso lutar!

Quem sabe? Quem sabe?
O Deus do infinito
Talvez vosso grito
Resolva escutar!

***

Um comentário:

Isaac Melo disse...

Meu caro amigo,
gostaria de estender teu convite aos poetas, a toda a sociedade que dorme sob o torpor do consumismo e do individualismo.
O Poeta é um dos únicos que se mantém lúcidos dessa embriaguês do mundo relativista, embora ele esteja inteiramente embriagado na vida. No dia em que os poetas não mais dizerem o indizível e deixarem de expressar o inefável, será a nossa maior pobreza, e quem sabe nosso fim.
Um abraço meu caro poeta!