sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Fascinação

Ano de oitenta e cinco,
Dezessete de setembro...
Manhã quente, eu bem me lembro...
E a lembrança em mim persiste,
Perco a calma, fico triste,
Uma angústia o peito invade,
Na tortura da distância
Tudo agora é só saudade!

Perdi-me dentro da noite,
Nas asas dos sonhos meus...
Veio depois um adeus
E a vida tornou-se um culto
Pra venerar o teu vulto...
Veio a saudade sem fim,
Me torturando, doendo,
Mexendo dentro de mim.

O brilho do teu olhar
Cravou-se em meu coração
Como se fosse um arpão
Envenenado de amor!
Lábios lindos como a flor...
E na voz, a melodia,
Sentimental e plangente
Do cantar da cotovia.

Teus cabelos são carícias,
Teu riso é luz, é aurora,
Teu corpo, abrigo onde mora
O encanto da natureza!
E toda essa beleza
Que me tortura e inquieta
Transformou-se em cativeiro
Da alma deste poeta.

(Brasileia - 1985)
(Anchieta)

2 comentários:

Isaac Melo disse...

Anchieta,
alma de poeta,
quanta coisa ali reside!

Um forte abraço!

Dona Chicosa disse...

Ainda bem que são só lembranças e poemas.
Beijos