domingo, 14 de março de 2010

SESSENTA E CINCO ANOS!!!

               Não vou me referir aqui aos momentos em que a alegria e a felicidade nos refrigeram os corações. Hoje entendo a frase que eu ouvia nas orações de minha mãe, afirmando que isso aqui é "um vale de lágrimas". É que, na maioria dos casos, as trilhas da vida possuem mais espinhos do que flores. Neste ambiente, motivados por nossas imensas imperfeições, principalmente pelo egoísmo, transformamos nossas convivências em tribunais de julgamentos de nossos semelhantes. Todos nós vivemos julgando e sendo julgados.               
               Aos 65 anos, também continuo sob a apreciação de variados conselhos de sentença. Em cada causa, uns me acusam... outros me absolvem...  outros são indiferentes às penas que me forem impostas.  Em cada caso, há um sentimento de que sou culpado, misturado a uma desconfiança de que possa ser inocente, ou vice-versa. Mas a regra parece ser uma só: - não há ninguém que não tenha culpa. Se aqui estamos, é porque temos que pagar alguma coisa, ou uma infinidade de coisas. E, nisso tudo, diante de nossos olhares míopes, a cobrança de Deus não parece mais severa do que a dos homens. Só não nos resta qualquer dúvida de que a condenação é inevitável. Cada ser humano é um julgador e um apenado.
               Aos 65 anos, encontro-me, como todos, num permanente banco dos réus. É que nossos julgamentos nunca terminam. Pobres corações, os nossos!  É neles que estão instalados os nossos tribunais.  São instalações as mais diversas,  macabras, nojentas, enigmáticas, fantasmagóricas e mal cheirosas, mas tudo parece bonito, puro e impecável,  sob a camada de camuflagem da hipocrisia. Os julgadores desses tribunais são tão justos quão justos são seus enganosos sentimentos. Na realidade ninguém teria as necessárias virtudes e a autoridade moral suficientes para julgar ninguém. Tudo é nitidamente uma grande farsa, onde a delinqüência, os erros, as contravenções, os pecados, só existem nos outros. Narcisistas, somos tão belos quanto puros. Somos esses hipócritas. Somos esses juízes. Imperfeitos, nós nos comprazemos com esses julgamentos mútuos, com essas mútuas condenações. Todos nos julgamos e todos nos condenamos. 
               Aos 65 anos, meus processos são inesgotáveis. Às vezes "meus grandes pecados" são debatidos ao mesmo tempo em lugares diferentes.  Todavia, embora a realidade do mundo seja esta, há um outro tribunal que tem seu ritual dentro de mim. Sinto-me cotidianamente julgado pelo mais justo de meus juízes aqui da Terra: - a minha consciência! Ela sempre se me apresenta como “a voz de Deus”. Ela também me diz que a vida continua depois da morte e que o livro virtual de minhas ações há de fazer-me justiça, porque a justiça dos homens não é justa.
               São 4 horas da manhã. Hoje é o dia 14 de março de 2010. Completo 65 anos. Encontro-me diante do espelho. Sinto-me alquebrado, sem jovialidade física, cabelos ralos e grisalhos. Desabafo silenciosamente: - Estou velho! E uma voz murmura dentro em mim: - Não, não, não está! Viva a juventude do espírito, porque ele não tem idade. Volto a olhar para o espelho e me questiono sobre tantas coisas sem respostas. Na verdade, descubro agora que guardo em mim mais perguntas irrespondíveis do que as que eu tinha lá na minha infância. Fico inquieto, mas me calo diante dos mistérios indecifráveis da vida.
               Quanto aos julgamentos a que estou submetido perante as leis dos homens, ainda não sei que tipo de marginal eu sou. Certamente me enquadrado em alguma classe de meliantes. Mas, será que isso é importante? Até onde devo me preocupar com as sentenças dos tribunais impiedosos dos julgamentos humanos, se estou convicto de que seus veredictos em nada me interessam?   Deixa prá lá, Anchieta!
               Hoje tenho a graça de atingir 65 anos. Os abraços sinceros, os votos de felicidades e os parabéns recebidos, representam um valioso bálsamo. Continuarei assim: -  sendo quem sou, gozando a juventude de cada idade, sem permitir que morra a criança que mora em mim!
                Vamos tocar a vida para a frente! 

3 comentários:

Isaac Melo disse...

Caro amigo Anchieta,
antes de tudo estendo meu carinho e amizade por você e por seus 65 anos de vida. Creio que os mesmos sentimentos, o mesmo amor que pulsava no coração do menino que corria pelas ruas de Teixeira continuar a pulsar ainda com mais força e ardor no peito de alguém que pode orgulhar-se de sua história, que tanto tem engrandecido a nós acreanos.

Um forte abraço à vc e família!

Brunno Damasceno disse...

Quando a idade chegar
Não deixe transparecer rancor

Se a pele enrugar
Sorria, são rugas de amor

E a natureza lhe dará certeza que o tempo passou

Apesar dos pesares restou sementes que você plantou

Parabéns Professor! Muita saúde, felicidades e muita INSPIRAÇÃO.

jessika disse...

Feliz aniversário! Que Deus te dê muitos nos de vida, tentamos ligar para o senhor, mas não conseguimos... Nunca mais deu notícias em...? Voltei a escrever! As letras não conseguem sair da minha vida. kkkkkkk
Beijinhos!